domingo, 13 de julho de 2008

8Th IUHPE Conference on Health Promotion and Education

Em Turim, Italia, 9 a 13 de setembro.
Link para o sítio da conferência: www.hp08torino.org/
Nosso resumo:
PROPOSAL OF AN INTERDISCIPLINARY SERVICE MODEL IN HEALTH PROMOTION

Vedovato GM1, Oliveira AC2, Nascimento AB2, Motta CG3, Ramalho CC3, Sampaio P3, Sanches PP3, Ranzani OT4, Otsubo EY3, Ferreira Júnior M4, Chaves EC2, Jorge MIE1, Paiva V3
1Nutrition Department – School of Public Health – Sao Paulo University
2Department of Doctor-Surgical Nursing – School of Nursing –Sao Paulo University
3Department of Social Psychology – Psychology Institute – Sao Paulo University
4Healthy Lifestyle Promotion Center – Medical School – Sao Paulo University
INTRODUCTION
Understanding the Health Promotion as the articulation of actions that involve the strengthening of individual and collective capacities acting on the overall framework of the state and on uniqueness and autonomy of the subject, there is the need for interdisciplinary work that offers a new look to the health professional, so that the subject is not upheld in a fragmented manner. Founded on the conceptions of Health Promotion and Interdisciplinarity, was developed by the Academic League for the Promotion of Health (ALPH) of the University of Sao Paulo Medical School – Hospital das Clínicas (USPMS-HC), a protocol proposal allowing the performance of "health promoters" to the autonomy of the subject in the development of continuous transformations on their level of health and living conditions.
OBJECTIVE
Propose a Model of Care for the Health Promotion founded on the interdisciplinary.
METHODS
A systematic review was conducted between the years 1990 and 2006 in databases Lilacs, Scielo and Medline, using as a matter of experience reporting on individual care for the Health Promotion. Based on previous works, a Model was developed with the aim of: provide common language to health professionals; consolidate the interdisciplinary care; identify demands about harmful life-styles that hinder the possibility of full health of the person who seeks the service; and locating the subject as a co-participant in their own process of promoting health. The development and implementation of this Model required the development of an instrument of diagnosis and intervention, which was applied at the USPMS-HC by ALPH, formed by students of Medicine, Nursing, Nutrition and Psychology at the University of Sao Paulo. The pilot project of the instrument was applied in the period from 10/01/2006 to 08/01/2007, with the participation of 16 subjects referred by the Healthy Lifestyle Promotion Center of USPMS-HC. And since then, appears to be operating under supervision of teachers and professional from USPMS-HC.
RESULTS
Assuming the design that the Model is based on interdisciplinary proposal designed to enable the subject about the seizure of how he relates with itself and with its everyday universe, was developed an instrument for diagnosis and intervention, composed of four modules and applied by a multidisciplinary pair academics. The first module referred to the collection of socio-demographic data and the survey of information about ways of live and work. The second is basically structured on points: how the subject describe itself, the detailing of a habitual day and one day of rest, the exposure of their forms of relationships and social networks of support; presentation of satisfactory or unsatisfactory aspects in the process of their health. The third, included a diagram for evaluation of six major spheres that make up the lifestyle (diet, physical activity, sleep and rest, work, entertainment and relationships), so that the subject is likely front with aspects of change, identifying life in context of what would be the barriers and facilitators of this dynamic process. At the end of the first meeting, the person must indicate an initial priority in search of health, signed in one of six areas suggested. The fourth module referred to the appointment of a interdisciplinary discussion with the supervisors about the case and the proposal to be presented to the subject, namely routing approach with group or individual in accordance with the criteria defined by the interdisciplinary team together with the subject.
CONCLUSIONS
There are no scientific studies that report the development of instrumental technology in Health Promotion. The proposed model charged a more complex, dynamic, participatory and comprehensive Health Care, encouraging interdisciplinary and co-responsible attitude of the subject.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Efeito dominó

Pesquisadores da Universidade Harvard, que acompanharam mais de 12 mil pessoas por 32 anos, viram que os fumantes abandonam o cigarro em grupos.
FLÁVIA MANTOVANIDA REPORTAGEM LOCAL

Costuma começar cedo. Para parecer mais velho, fazer tipo ou agradar aos amigos, o adolescente dribla aquele gosto de cinzeiro e disfarça os acessos de tosse até que ganha intimidade com o cigarro e passa a se sentir parte da turma. Com o tempo, a nicotina age, a dependência se instala e ele pode nem se lembrar de como tudo começou. Mas uma volta ao passado provavelmente vai mostrar que as primeiras tragadas foram dadas por influência alheia.
Pois um novo estudo mostra que o mesmo raciocínio vale para parar de fumar: quando alguém abandona o vício, acaba contagiando outros fumantes em volta a largarem o cigarro. Publicado no "New England Journal of Medicine", o levantamento acompanhou, por 32 anos, 12.067 pessoas, que tinham vínculos -familiares, profissionais ou de amizade. Os pesquisadores, das universidades Harvard e da Califórnia, constataram que as pessoas abandonam o vício em grupos.
Os laços mais fortes detectados foram os de marido e mulher: no caso de cônjuges, o fato de um deles parar diminui em 67% a chance de o outro continuar fumando. Entre dois amigos, a redução é de 43%. Entre irmãos, a influência é menor: 25%. Já entre colegas de trabalho, o que o estudo mostrou é que depende do tamanho da empresa: nas pequenas, o fato de um funcionário parar reduz em 34% a chance de o outro continuar fumando. Nas maiores, não houve essa associação."O trabalho mostra que as decisões de parar de fumar não são tomadas só por indivíduos, mas por grupos inteiros", disse à Folha Nicholas Christakis, um dos autores do estudo.Segundo o pesquisador, a influência se dá de forma direta e indireta, entre pessoas que se conhecem e não se conhecem. No primeiro caso, é fácil perceber como isso acontece: uma pessoa pára de fumar e outro fumante próximo a ela se sente inspirado a parar também."Chamamos de fenômeno da segunda onda. Quando a gente joga uma pedra na água, gera várias ondas e acerta uma superfície muito maior. Da mesma forma, quando se cria um ex-fumante, os outros percebem que ele conquistou algo novo e se estimulam a seguir o mesmo caminho", compara o pneumologista Sérgio Ricardo Santos, coordenador do PrevFumo (Núcleo de Apoio à Prevenção e Cessação do Tabagismo), da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).Segundo Santos, quanto mais próximo for o ex-fumante, maior costuma ser essa influência. "Dentro do núcleo familiar, é altíssima. Os pais estimulam muito os filhos e vice-versa. A relação entre marido e mulher é a mais forte", diz.
A auxiliar administrativa Priscila Bezerra, 24, e o gerente de contas Gustavo Sachi, 27, ainda são namorados, mas o exemplo dele foi decisivo para que ela abandonasse o cigarro. Quando eles se conheceram, os dois fumavam. Há dois anos, Gustavo decidiu parar "de um dia para o outro". "Não traz benefício nenhum. O cheiro é ruim, você gasta dinheiro e faz mal para a saúde", justifica.Depois que ele conseguiu, Priscila conta que o namorado, sutilmente, mandava recados. "Ele não chegou a falar para eu parar, mas me ajudou a cortar. Passou a reclamar do cheiro, do gosto, de quando eu ia comprar cigarro. Eu não podia mais fumar no carro dele. Tomei aversão ao cheiro e parei", diz ela.Hoje, os dois comemoram. "Sinto mais o cheiro e o gosto da comida, meu condicionamento para os esportes aumentou", diz Gustavo. Segundo Priscila, além de ser bom para ela, parar ajudou no relacionamento. "Melhorou a sintonia entre nós dois."Sociedade não-fumanteA pesquisa também mostrou o impacto indireto que uma pessoa que pára de fumar exerce sobre o grupo social de fumantes, mesmo que esses indivíduos não se conheçam. É como um efeito dominó: quanto mais gente abandona o vício, mais a sociedade vai se tornando hostil ao tabagismo, e isso desfavorece o hábito de fumar.
Para Tânia Cavalcante, chefe da divisão de controle de tabagismo do Inca (Instituto Nacional de Câncer), o tabagismo é uma doença "transmissível socialmente". "Numa sociedade em que todos fumam, a tendência é que esse comportamento cresça, ainda mais sendo uma dependência. O mesmo vale para o inverso."Segundo Sérgio Santos, o estudo de Harvard é o maior já feito e introduz um conceito novo: o da contagiosidade de parar de fumar. "Com a maior educação sobre o risco de fumar, diminui o número de fumantes, e cria-se um ambiente favorável a parar. É uma tendência em vários países. O fumante se sente acuado."Ao analisarem as relações nos círculos familiares e de amizades, os pesquisadores detectaram essa marginalização do fumante. O estudo mostra que, de 1971, início do levantamento, até 2000, último ano avaliado, eles foram se tornando mais periféricos nas redes sociais.
Para o pneumologista pediátrico João Paulo Lotufo, responsável pelo Projeto Antitabágico do Hospital Universitário da USP (Universidade de São Paulo), a aprovação de leis antifumo em ambientes fechados em vários países contribui para desencorajar o tabagismo. "Mudou o enfoque por causa do tabagismo passivo. Se eu não fumo, estar perto de um fumante é ruim para mim. Não-fumantes que moram com fumantes têm 25% a mais de chance de terem infarto e câncer de pulmão", exemplifica.A secretária Lindaci Maria Soares, 48, conta que esse foi um dos motivos pelos quais ela resolveu parar, após quase 40 anos fumando. "Mesmo quem fumava há muitos anos está parando. Quase não há ambiente para o fumante. Só se pode ir a áreas abertas e, mesmo assim, as pessoas reclamam."Outro fator que pesou muito foi ter descoberto uma bronquite crônica. Ela diz que adorava fumar e que era uma "referência" para os outros fumantes. Inclusive para as três filhas, Josiene, 21, Luciene, 26, e Cristiene, 27, que fumam desde a adolescência. "Elas me vêem como exemplo até nesse vício horroroso. Se eu não parar, elas não param", diz. A mãe de Lindaci também fumava.Agora que ela decidiu parar, as três filhas também se animaram. A do meio, Luciene Soares Luiz, fumante desde os 12, acompanha a mãe ao programa especializado que ela freqüenta. "Só fui [ao programa] porque ela estava indo. Perdi minha avó para o cigarro e fiquei assustada quando vi que minha mãe está doente", conta.TratamentoPara Jônatas Reichert, presidente da comissão de tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia, outro fator que contribui para que parar de fumar se torne contagioso é o avanço nos tratamentos. "Antes, as pessoas não passavam muito a experiência para as outras porque, ao tentarem e falharem, sentiam-se impotentes. Hoje, com mais possibilidades de tratamento, aumentou o índice de sucesso e elas têm mais contato com casos bem-sucedidos", diz.Segundo Reichert, apenas 5% das pessoas conseguem abandonar o vício sozinhas. Ao sentir falta de ar e outros efeitos de 35 anos de dependência do cigarro, a consultora de treinamento Leila Cinelli Silveira, 56, decidiu procurar auxílio. Recebeu a indicação de adesivos de reposição de nicotina. Inspiradas no seu exemplo, a filha, a cunhada e a irmã também resolveram parar. "Até senti uma responsabilidade maior para não ter recaídas, pois sei que tenho três pessoas atrás de mim. Foi um incentivo", diz.
Entre as estratégias inventadas por ela para driblar a abstinência, estava um "kit de sobrevivência" com cenouras, pepinos e ervas-doces cortados no tamanho de cigarros. Ela também guardou os R$ 3 diários que economizava deixando de comprar cigarros. "No fim do mês, comprei uma calça para me recompensar."Leila diz que se sente vitoriosa. "O fôlego é outro, a diferença na voz é incrível, a pele muda, os dentes ficam brancos, lisinhos. Achava que nunca iria conseguir, mas estou muito alegre comigo."
Folha de S. Paulo - Equilíbrio, 10/07/08