Professor da Unifesp afirma que não é possível diferenciar efeitos nocivos na saúde entre fumantes passivos e ativos.
Conviver com usuários de cigarros traz risco de agravar doenças respiratórias e até provocar casos de câncer de pulmão, alerta médico - DA REPORTAGEM LOCAL
Para Clystenes Soares Silva, professor de pneumologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), só há uma solução para acabar com o incômodo e os danos à saúde aos não-fumantes: banir o cigarro dos locais públicos fechados, como em países da Europa.No Brasil, existe uma lei federal que proíbe o fumo "em recinto coletivo, privado ou público", mas é rotineiramente desrespeitada. A lei 9.294/96 só permite o tabaco "em área destinada exclusivamente a esse fim, devidamente isolada e com arejamento conveniente".Silva, que defende o "fumo zero" em bares e restaurantes, ressalta que "fumante é fumante, seja passivo ou ativo".Isso significa que o fumante ativo pode sofrer as conseqüências do vício de forma mais intensa, mas o fumante passivo não está ileso. "É patético estar num local de não-fumantes e, na mesa ao lado, haver fumantes. É algo ilusório", diz.De acordo com ele, o Brasil possui entre 22% e 23% de fumantes. "A maioria não fuma. Não pode uma minoria atrapalhar tantas pessoas", afirma.Oliver Nascimento, pneumologista da Unifesp, reforça que o tabagismo passivo traz inúmeras conseqüências negativas para a saúde. "As pessoas têm mais chance de ter tosse. Quem sofre de asma ou bronquite pode ter crise, ficar com dor no peito, chiado e falta de ar. Já quem possui rinite alérgica pode ficar com o nariz obstruído ou coriza", afirma. Podem ainda ter câncer de pulmão ou infarto agudo do miocárdio.Livre de tabacoClientes divergem sobre a questão de livrar os restaurantes do tabaco. A exportadora Vera Medeiros não suporta fumaça de cigarro e, muitas vezes, sente incômodo nesses estabelecimentos. "Evito ir a lugares onde se fuma muito. Mas abro exceções, pelos amigos." Ela reclama que a roupa fica cheirando fumaça e os olhos ficam secos. A também exportadora Simone Fernandes, fumante, acha que deve haver espaço igual para os dois grupos. "Se um local que freqüento virasse um ambiente livre de tabaco, deixaria de ir. O fumante não pode ser discriminado."
Folha de São Paulo - Cotidiano
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